Revista Circuito •Fevereiro 2010
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Urologia
Pedras nos rins: conheça mais sobre
esta doença e saiba como preveni-la
As pedras nos rins – ou cálculos renais – representam uma das
doenças mais comuns nos dias atuais. Na especialidade da Urologia,
está em terceiro lugar em frequência, perdendo apenas para as
doenças da próstata e as infecções urinárias. Levantamentos
estatísticos nos Estados Unidos indicam que até 12% da população
terá pedras nos rins em algum momento da vida. No Brasil, com seu
clima tropical, espera-se uma incidência equivalente ou maior à dos
Estados Unidos. Mas por que elas aparecem? Fatores ambientais e
individuais são tidos como causas da formação de cálculos. Sua
incidência vem aumentando ao longo dos anos, e diversas podem
ser suas causas: a possível relação com o aquecimento global e o
processo de urbanização não planejado transformam cidades em
“ilhas de calor”, com escassas áreas verdes. Tanto a influência
geográfica, relacionada à temperatura elevada, como fatores
culturais regionais, principalmente relacionados a hábitos
alimentares, contribuem para o crescente número de casos de
pedras nos rins. Apesar de não haver estudos recentes, observa-se,
de forma assustadora, que até crianças vêm apresentando cálculos
renais, e cada vez mais precocemente, a partir de 5 anos de idade.
A predisposição genética é a principal causa individual da doença,
observada em 50% a 60% dos pacientes. Em segundo lugar,
podemos agrupar os hábitos alimentares inadequados, como a baixa
ingestão de líquidos e o consumo excessivo de sal e proteínas. Em
terceiro lugar, agrupamos condições especiais, como infecções
urinárias por bactérias produtoras de cálculos, distúrbios
metabólicos e alterações anatômicas com situações de baixo fluxo
urinário. O mecanismo comum a todos os casos é a hipersaturação
(hiperconcentração) da urina por sais como oxalato, fosfato, cálcio
e ácido úrico, que provocam a precipitação de cristais microscópicos
que se combinam até formar as pedras. Determinadas doenças
metabólicas, como gota, hiperparatireoidismo e acidose tubular
renal, podem ser simultaneamente diagnosticadas em pacientes
que manifestam cálculo de forma recorrente, bilateral ou de rápido
crescimento. Entretanto, a grande maioria está na categoria da
doença idiopática, ou seja, de causa desconhecida. Os hábitos
alimentares podem ser corrigidos: aumentar a ingesta hídrica (o
ideal seria cerca de 2 litros por dia); uma dieta equilibrada, com
redução de proteínas e do sal. O sal comum (cloreto de sódio) é de
fácil acesso e muito apreciado por valorizar o sabor dos alimentos
e ter propriedades conservantes. Os alimentos industrializados, em
geral, como congelados, refrigerantes, sucos em caixinhas, embutidos,
conservas e sanduíches, são as maiores fontes de sal em excesso. A
necessidade diária de sal recomendada pela OMS é de, no máximo, 2,4
g ou 2.400 mg. O brasileiro ingere, em média, quatro vezes mais que o
recomendado. Além dos efeitos renais, o abuso do sal é prejudicial
também para o coração. Agrava a hipertensão arterial e causa a retenção
de líquidos. Em alguns casos, como os de doentes renais e hipertensos,
a recomendação é restringir a 1 grama por dia, ou seja, a quantidade
equivalente àqueles saquinhos que encontramos nas mesas de
restaurantes. O consumo abusivo de carnes, como recomendado em
dietas de emagrecimento da moda, por exemplo, a Dieta do Dr. Atkins
e South Beach, é contraindicado para pacientes com predisposição a
cálculos renais. O sedentarismo e a obesidade também são fatores de
risco para pedras nos rins. Um estudo publicado em 2009 pelo renomado
hospital Johns Hopkins (EUA) provou que pacientes submetidos a cirurgia
para redução do estômago têm aumento de quase o dobro de risco de
desenvolver cálculos renais. Portanto, a prática regular de atividades
físicas contribui para o controle da doença e uma vida saudável. Os
avanços recentes da Medicina permitem um tratamento cada vez menos
invasivo para as pedras nos rins. As cirurgias abertas, com corte, estão
praticamente abolidas, sendo substituídas pela cirurgia percutânea,
endoscópica e litotripsia extracorpórea. A cirurgia de litotripsia
transureteroscópica flexível com laser é uma nova opção, cada vez mais
realizada no exterior e nos melhores hospitais brasileiros, para cálculos
de até 2 cm, com altíssima eficácia e baixo risco, propiciando a alta
hospitalar em cerca de 24 horas.
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