terça-feira, 17 de julho de 2012

Revista Circuito •Fevereiro 2010
27

Urologia



Pedras nos rins: conheça mais sobre

esta doença e saiba como preveni-la

As pedras nos rins – ou cálculos renais – representam uma das

doenças mais comuns nos dias atuais. Na especialidade da Urologia,

está em terceiro lugar em frequência, perdendo apenas para as

doenças da próstata e as infecções urinárias. Levantamentos

estatísticos nos Estados Unidos indicam que até 12% da população

terá pedras nos rins em algum momento da vida. No Brasil, com seu

clima tropical, espera-se uma incidência equivalente ou maior à dos

Estados Unidos. Mas por que elas aparecem? Fatores ambientais e

individuais são tidos como causas da formação de cálculos. Sua

incidência vem aumentando ao longo dos anos, e diversas podem

ser suas causas: a possível relação com o aquecimento global e o

processo de urbanização não planejado transformam cidades em

“ilhas de calor”, com escassas áreas verdes. Tanto a influência

geográfica, relacionada à temperatura elevada, como fatores

culturais regionais, principalmente relacionados a hábitos

alimentares, contribuem para o crescente número de casos de

pedras nos rins. Apesar de não haver estudos recentes, observa-se,

de forma assustadora, que até crianças vêm apresentando cálculos

renais, e cada vez mais precocemente, a partir de 5 anos de idade.

A predisposição genética é a principal causa individual da doença,

observada em 50% a 60% dos pacientes. Em segundo lugar,

podemos agrupar os hábitos alimentares inadequados, como a baixa

ingestão de líquidos e o consumo excessivo de sal e proteínas. Em

terceiro lugar, agrupamos condições especiais, como infecções

urinárias por bactérias produtoras de cálculos, distúrbios

metabólicos e alterações anatômicas com situações de baixo fluxo

urinário. O mecanismo comum a todos os casos é a hipersaturação

(hiperconcentração) da urina por sais como oxalato, fosfato, cálcio

e ácido úrico, que provocam a precipitação de cristais microscópicos

que se combinam até formar as pedras. Determinadas doenças

metabólicas, como gota, hiperparatireoidismo e acidose tubular

renal, podem ser simultaneamente diagnosticadas em pacientes

que manifestam cálculo de forma recorrente, bilateral ou de rápido

crescimento. Entretanto, a grande maioria está na categoria da

doença idiopática, ou seja, de causa desconhecida. Os hábitos

alimentares podem ser corrigidos: aumentar a ingesta hídrica (o

ideal seria cerca de 2 litros por dia); uma dieta equilibrada, com

redução de proteínas e do sal. O sal comum (cloreto de sódio) é de

fácil acesso e muito apreciado por valorizar o sabor dos alimentos

e ter propriedades conservantes. Os alimentos industrializados, em

geral, como congelados, refrigerantes, sucos em caixinhas, embutidos,

conservas e sanduíches, são as maiores fontes de sal em excesso. A

necessidade diária de sal recomendada pela OMS é de, no máximo, 2,4

g ou 2.400 mg. O brasileiro ingere, em média, quatro vezes mais que o

recomendado. Além dos efeitos renais, o abuso do sal é prejudicial

também para o coração. Agrava a hipertensão arterial e causa a retenção

de líquidos. Em alguns casos, como os de doentes renais e hipertensos,

a recomendação é restringir a 1 grama por dia, ou seja, a quantidade

equivalente àqueles saquinhos que encontramos nas mesas de

restaurantes. O consumo abusivo de carnes, como recomendado em

dietas de emagrecimento da moda, por exemplo, a Dieta do Dr. Atkins

e South Beach, é contraindicado para pacientes com predisposição a

cálculos renais. O sedentarismo e a obesidade também são fatores de

risco para pedras nos rins. Um estudo publicado em 2009 pelo renomado

hospital Johns Hopkins (EUA) provou que pacientes submetidos a cirurgia

para redução do estômago têm aumento de quase o dobro de risco de

desenvolver cálculos renais. Portanto, a prática regular de atividades

físicas contribui para o controle da doença e uma vida saudável. Os

avanços recentes da Medicina permitem um tratamento cada vez menos

invasivo para as pedras nos rins. As cirurgias abertas, com corte, estão

praticamente abolidas, sendo substituídas pela cirurgia percutânea,

endoscópica e litotripsia extracorpórea. A cirurgia de litotripsia

transureteroscópica flexível com laser é uma nova opção, cada vez mais

realizada no exterior e nos melhores hospitais brasileiros, para cálculos

de até 2 cm, com altíssima eficácia e baixo risco, propiciando a alta

hospitalar em cerca de 24 horas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário